Começando...pelo passado
Como surgiu o Sítio Graúna
Levei tempo pra começar a escrever sobre o sítio, mesmo adorando escrever. Aquela clássica de deixar para a hora perfeita e calma, até que me vejo em casa de repouso forçado pós uma cirurgia de emergência. Não posso pegar peso nem me movimentar muito por pelo menos 2 meses. Passei os últimos quinze dias refletindo sobre tudo, maior clichê de vida não há, mas sim, apesar da bagunça (interna e externa) me sentei na frente do computador para começar…do passado!
Mas antes que me perguntem o que aconteceu, preciso espalhar a palavra da… apendicite! Sim, foi ela a culpada por me adoecer. Recebi tantas mensagens de gente falando que perderam alguém por conta de uma complicação de apendicite que fiquei chocada por NÃO FALAMOS DELA! Resumidamente, não tive os sintomas habituais de apendicite (febre e vômitos), só tinha dores que me confundiram com dor de cólica e com isso foram se passando dias e dias…até que quando o quadro agravou severamente, descobri que a apendicite virou tumor que atingiu alguns órgãos. Passei por uma cirurgia de 3 horas e 2 dias de UTI, mas já estou melhor, em casa repousando e absorvendo esses dias intensos em que achei que iria morrer. Deixo aqui o recado para ficarem de olho na bendita apendicite, ein!
Agora sobre o sítio, vamos lá! Em dezembro de 2025 completaremos 11 anos de Sítio Graúna \o/ Parece que foi ontem, mas muitas vezes parece que vivemos muito mais que uma década aqui nesse pedacinho de terra sul mineira. A foto é de dezembro de 2014, pouco depois da mudança pro sítio.
Chegamos aqui jovenzinhos, prestes a completar 30 e Davis com 34, com um neném no colo, cachorro, gato, alguns vasos de varanda e um brilhinho nos olhos de coragem, inocência, vontade de viver o novo e uma energia imensa, daquela que pode transformar o que deu errado em certo.
Não éramos agricultores de fato. Eu nasci e cresci em São Paulo. Em casa não tinha mais que algumas samambaias pelos cantos onde eu mal interagia com elas. Passava as férias no interior de São Paulo onde minha avó materna morava, e ela sim sempre colocava a sementinha da agricultura natural na minha cabecinha aos poucos, o amor pelas flores e pelos animais. Davis vem de família que cultiva café convencional, mas não chegou a trabalhar de fato no campo. Nasceu no interior e assim que fez 18 anos foi para São Paulo trabalhar com designer gráfico e publicidade.
Quando começamos a namorar, ele morava em uma casa onde tinha muitas plantas e jardineiras crescendo comida. Eu ficava surpresa e como passava os finais de semana na casa dele, fui pouco a pouco cuidando das plantinhas com ele também. Ir ao Ceagesp no dia das flores era legal demais, e em poucos meses eu já estava amando mexer com terras e plantinhas, ainda que em vasos e jardineiras.
Fomos muito apressados e passei a morar na casa dele com poucos meses de namoro. Consegui vaga para lecionar em um colégio que ficava pertinho da casa dele (sou pedagoga), então facilitou demais. Aquele sonho de trabalhar e morar em locais próximos. Foram anos felizes <3
Em 2013 resolvemos engravidar e rapidinho Estela já estava no forninho. Tivemos que mudar de casa e quando a ficha de que teríamos um filho realmente caiu, ficamos doidos pra mudar de SP (porque pagar aluguel perto do trabalho era uma insanidade) e porque teve a crise hídrica naquele ano, era desesperador pensar em ter um neném em um lugar sem água ou com água poluída e com aquele custo de vida insustentável. A partir daí, fomos traçando alguns caminhos que poderíamos ter fora de São Paulo, na época do namoro a ideia de morar em uma cidade menor e mais tranquila sempre aparecia nas nossas conversas.
Em 2013 existiam poucas empresas de delivery de orgânicos. Aliás sobre agricultura eu não sabia quase NADA e passei a estudar sobre esse universo daí pra frente, até fazermos um plano de negócios de um delivery de orgânicos, onde iríamos produzir os alimentos e entregar na casa das pessoas (o spoiler da #cestadositio).
Compramos o sítio em agosto de 2014. Ele era um grande pasto amarelo (pela seca que teve no ano, tudo estava estorricado), não tinha energia elétrica e a casa estava só com as paredes levantadas e o telhado, mas vocês não imaginam a felicidade que estávamos em ter uma escritura de um pedaço de terra no nosso nome ¯\_(ツ)_/¯ . Compramos o sítio por meio de um consórcio de imóveis que a gerente do nosso banco da época indicou. Fizemos aqueles milhões de simulações para comprarmos um apartamento em sp, uma casa no interior ou um sítio em alguma roça não muito longe de São Paulo. Ela sabia que fechamos com a ideia de comprar um sítio, na zona rural e tudo. Juntamos as rescisões, FGTS e o que conseguimos juntar para dar o valor para a carta de crédito para comprar o imóvel. Combinamos com o dono a forma de pagamento e ele aceitou numa boa mediante um contrato e fomos levando.
Em janeiro de 2015, quando já estávamos com a mudança aqui no sítio (e em uma casinha alugada na cidade já que não tínhamos ainda casa de fato na roça) pronta, descobrimos que a carta de crédito do consórcio não valeria para imóvel rural . Sim, foi tudo muito confuso, eu não me recordo com detalhes porque foi um estresse e estava com um neném bem pequeno nos braços, mas o banco se recusou dar o valor do imóvel rural e a gente tinha dado todo o nosso dinheiro para o consórcio. A sorte foi que Davis tinha todas as conversas com a gerente por email e então ele processou o banco (e já vou dar o spoiler que ganhamos anos depois, demorou, parcelaram o pagamento - são muito cretinos- mas ganhamos!).
Fotos do dia que visitamos o sítio pela primeira vez, agosto/2014.
Apesar do nervoso inicial, a felicidade em ter essa terrinha foi maior e fomos pouco a pouco organizando a casa e fazendo o acabamento. Davis conciliava o trabalho de pedreiro com alguns freelas de designer gráfico na casinha da cidade que alugamos e pouco a pouco a casa do sítio foi ficando habitável para a nossa família ao longo de 2015, mas a energia elétrica só chegou em 2016 kkkk causo que vou contar na próxima news!
Agradeço quem leu até aqui! Foi um texto corrido, sem revisões gramaticais, mas escrito com meu coração <3
Vou ainda aprender a organizar a newsletter para que assinem e recebam por email e não deixem de seguir o Sítio Graúna no Instagram que, apesar de não poder trabalhar nas hortas nas próximas semanas, tento mostrar o que Davis anda fazendo na cozinha e no mato.
Temos alguns produtos do sítio para venda! Só mandar um oi no whats ou por aqui que mando a foto de tudo. Últimos potes de mel! Aproveitem.
Até em breve,
Roberta








Escrever pra não esquecer, lembrar das escolhas e de tudo o que fizeram pra chegar aí. Que bonito te ler, Roberta!